A TORRE DO RELÓGIO
18-DEZ-2025
"A aprovação do seu projeto ocorreu em 1942 e a obra decorreu durante 5 anos, tendo ficado concluída em 1947.
Uma obra pela qual o Ministro das Obras Públicas, Eng.º. Duarte Pacheco, se interessou pessoalmente, visitando o local em 1943.
Não chegou a ver a obra concluída, pois faleceu no mesmo ano em que a visitou, com 43 anos de idade, num brutal acidente de viação na manhã do dia 15 de novembro.
A Torre do Relógio foi inaugurada em 1950, após longos anos de fortes polémicas, por ter sido considerada por muitos “uma agressão à leitura harmoniosa e ampla” do espaço envolvente, conforme jornais da época.
Do outro lado, os defensores da sua construção defendiam o “intuito de quebrar a horizontalidade da praia e a necessidade de enquadrar o desenvolvimento da avenida e sinalizar a navegação marítima…”.
A obra surgiu num contexto de modernização e expansão da cidade, no sentido de Buarcos, incluindo a construção da Avenida Marginal, a construção da Esplanada e as escadarias de acesso à praia.
A Torre tem 23 metros de altura, recebeu um relógio de sol em 1949 e um relógio mecânico da Roamer em 1957, oferecido pela “Roamer Watch”, então com o valor de 200 contos, através do figueirense Manuel Henrique Calleres de Morais, com loja de ótica e relojoaria na Praça Nova.
Os autores do projeto da Torre foram o arquiteto João António de Aguiar e os engenheiros Henrique Óscar Ferreira e José Nunes da Costa Redondo, que idealizaram um método construtivo pouco usual, prescindindo do betão armado e utilizando uma estrutura mista de aço e alvenaria de pedra.
Nunca chegou a possuir um sistema de sinalização marítima, como inicialmente previsto, mas durante muitos anos difundiu emissões de rádio a partir do posto de turismo situado na esplanada António Silva Guimarães.
No posto de turismo a rádio era comandado pelo Sr. João Rocha ou pelo Sr. Joaquim Alves de Oliveira, ambos funcionários dos Serviços Municipalizados.
Passava a Marcha do Vapor às 11 e às 23 horas, no início e no fecho da emissão, e os altifalantes da Torre anunciavam: “Aqui Turismo, cabine de som!”.
Recorda-se também a rubrica “Os meus conselhos” e o alerta sobre as crianças perdidas.
Ou ainda os '”conseils de prudence”: "O sol é amigo..., mas não abuse da sua amizade".
Depois a publicidade, “Loiras ou morenas e um traço apenas: Bac Stick!”.
A emissão era interrompida das 13 às 18 e das 20 às 21 horas.
A Torre do Relógio, um ícone da Figueira, foi classificada em 2004 pelo Instituto Português do Património Arquitetónico como Imóvel de Interesse Municipal."
Crónica de Fernando Curado
Uma obra pela qual o Ministro das Obras Públicas, Eng.º. Duarte Pacheco, se interessou pessoalmente, visitando o local em 1943.
Não chegou a ver a obra concluída, pois faleceu no mesmo ano em que a visitou, com 43 anos de idade, num brutal acidente de viação na manhã do dia 15 de novembro.
A Torre do Relógio foi inaugurada em 1950, após longos anos de fortes polémicas, por ter sido considerada por muitos “uma agressão à leitura harmoniosa e ampla” do espaço envolvente, conforme jornais da época.
Do outro lado, os defensores da sua construção defendiam o “intuito de quebrar a horizontalidade da praia e a necessidade de enquadrar o desenvolvimento da avenida e sinalizar a navegação marítima…”.
A obra surgiu num contexto de modernização e expansão da cidade, no sentido de Buarcos, incluindo a construção da Avenida Marginal, a construção da Esplanada e as escadarias de acesso à praia.
A Torre tem 23 metros de altura, recebeu um relógio de sol em 1949 e um relógio mecânico da Roamer em 1957, oferecido pela “Roamer Watch”, então com o valor de 200 contos, através do figueirense Manuel Henrique Calleres de Morais, com loja de ótica e relojoaria na Praça Nova.
Os autores do projeto da Torre foram o arquiteto João António de Aguiar e os engenheiros Henrique Óscar Ferreira e José Nunes da Costa Redondo, que idealizaram um método construtivo pouco usual, prescindindo do betão armado e utilizando uma estrutura mista de aço e alvenaria de pedra.
Nunca chegou a possuir um sistema de sinalização marítima, como inicialmente previsto, mas durante muitos anos difundiu emissões de rádio a partir do posto de turismo situado na esplanada António Silva Guimarães.
No posto de turismo a rádio era comandado pelo Sr. João Rocha ou pelo Sr. Joaquim Alves de Oliveira, ambos funcionários dos Serviços Municipalizados.
Passava a Marcha do Vapor às 11 e às 23 horas, no início e no fecho da emissão, e os altifalantes da Torre anunciavam: “Aqui Turismo, cabine de som!”.
Recorda-se também a rubrica “Os meus conselhos” e o alerta sobre as crianças perdidas.
Ou ainda os '”conseils de prudence”: "O sol é amigo..., mas não abuse da sua amizade".
Depois a publicidade, “Loiras ou morenas e um traço apenas: Bac Stick!”.
A emissão era interrompida das 13 às 18 e das 20 às 21 horas.
A Torre do Relógio, um ícone da Figueira, foi classificada em 2004 pelo Instituto Português do Património Arquitetónico como Imóvel de Interesse Municipal."
Crónica de Fernando Curado