A PRAIA DA SARDINHA

13-NOV-2025

História
A PRAIA DA SARDINHA Praia da Sardinha
"Um rodopio de gente e barcos, assim era a “praia da sardinha”, mesmo em frente do Jardim Municipal.
Também lhe chamavam o “mercado do peixe”, a “doca do pescado” e a “lota do peixe”.
Chegavam os barcos, o peixe era transportado para terra e as peixeiras distribuíam-no por todo o concelho… muito trabalho e o ganha-pão de muitos.
Os homens regressados da faina, exaustos de uma noite de trabalho, saiam das traineiras, nas bateiras, e, praia acima, chegavam à tasca do Feteira, comiam uma sandes de atum e bebiam uns copos de vinho.
As peixeiras, de pés descalços, enchiam as canastras de sardinha e, com xailes negros de lutos permanentes, vergadas pelo peso das canastras, avançavam firmemente por caminhos de fome, pelas povoações desta terra.
Vidas sofridas, mães heroínas deste povo figueirense.
Muitos ainda se recordarão desta roda-viva de trabalho e sofrimento, ali junto do Feteira, da Casa do Paço, da Vidraria Marques e da Casa Salgueiro.
Traineiras, canastras cheias de peixe, xailes negros, vozes roucas gritando pregões, muita gente a comprar e a ver.
Um corrupio de gente, assim era a “praia da sardinha” que se perdeu na bruma dos tempos."

Crónica de Fernando Curado


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